O halving é de longe o acontecimento mais aguardado dos últimos anos pelos entusiastas do bitcoin. O evento, que ocorreu também em 2012, está programado no código do Bitcoin, e é responsável por diminuir a recompensa dos mineradores pela metade a cada quatro anos, ou após 210.000 blocos mineradores.

Muitos foram levados a adquirir a moeda na véspera do halving, contando com o possível aumento imediato do preço que o acontecimento poderia desencadear. No entanto, o preço se manteve relativamente estável desde o evento, sofrendo inclusive uma pequena queda.

Variação no preço do bitcoin após o halving
Variação no preço do bitcoin após o halving

Isso já era esperado por boa parte da comunidade de investidores. A crença de que a correção do preço já estava em andamento nos dias que antecederam o halving era defendida por vários entusiastas, e se mostrou verdadeira.

Variação no preço do bitcoin no período anterior ao halving
Variação no preço do bitcoin no período anterior ao halving

O halving, que aconteceu anteriormente em 2012, não causou nenhum impacto imediato no preço do Bitcoin. No entanto, em 2013 o preço do bitcoin disparou, atingindo a maior alta de todos os tempos, chegando a valer mais de $1000 dólares a unidade.

First Halving bitcoin
Variação no preço do bitcoin desde o halving em 2012

O halving de 2016 vem gerando diversas especulações. Alguns investidores, como Petar Zivkovski, da WhaleClub, argumenta que o preço do bitcoin tende a se manter em queda no futuro imediato ao halving, o que se deve à saída em massa dos compradores especulativos do mercado.

Uma preocupação constante no mercado de bitcoins é de que o halving forçaria a saída de diversos mineradores. A diminuição pela metade da recompensa diminuiria o incentivo para a mineração, especialmente dos mineradores em menor escala.

Investidores Opinam Sobre o Impacto do Halving

O fundador do Bitbank, Chandler Guo, argumenta que se o preço não subir rapidamente, em pelo menos duas vezes, muitas operações de mineração serão encerradas, uma vez que não faria sentido economicamente manter uma operação no vermelho durante um período extendido. O impacto da saída de mineradores deste mercado seria sentido por meio de uma sobrecarga de transações na rede Bitcoin, tornando as confirmações mais lentas.

Marco Streng, CEO da Genesis Mining, não demonstra muita preocupação com essa possibilidade. “Acredito que haverá uma pequena diminuição na hashrate devido ao halving”, diz.

Therrence Thurber, co-fundador da mineradora Oregon Mines, é mais preciso em suas afirmações:

“Ainda acreditamos que a hashrate total da rede Bitcoin irá diminuir em cerca de 10% após o halving, tendo em vista que os equipamentos de mineração mais antigos que não são mais viáveis economicamente abandonarão a rede. Os equipamentos das próximas gerações diminuirão essa diferença.”

Já o CEO da Bitfury, Valery Vavilov, expressou um certo otimismo quanto ao halving, apesar de também prever uma diminuição na hashrate:

“É de se esperar uma pequena diminuiçao na hashrate, mas será insignificante. O mais importante é que mesmo que a hashrate diminua, não irá comprometer a segurança da rede bitcoin.”

No entanto, o efeito do halving sobre a hashrate não será sentido imediatamente, uma vez que o principal custo da mineração é a eletricidade. Eric Mu, CMO da HaoBTC, que detém 5,5% da hashrate, explica:

“A maior parte dos custos irrecuperáveis de uma operação são os equipamentos e a infraestrutura, pelo menos este é o nosso caso.”

O criador da Litecoin, Charlie Lee, deu uma ideia do que esperar do halving com base na experiência do Litecoin, cujo halving aconteceu em agosto do ano passado:

“A China, que concentra a grande maioria das operações de mineração, possui plantas hidrelétricas que geram eletricidade em excesso. Por vezes, estas oferecem eletricidade gratuita em troca de uma parte nos lucros da operação. Os mineradores lucrarão a metade do que estão acostumados após o halving, mas estes acordos ainda farão com que suas operações se mantenham lucrativas.”

Otimismo Predomina no Longo Prazo

Enquanto o preço pode cair no curto prazo, ainda não está claro como a oferta e demanda irão ser ajustadas nos próximos meses. Não se sabe se os mineradores irão vender seus bitcoins normalmente para manter as operações ou se irão guardá-los na expectativa de um aumento no preço.

Seja qual for a atitude adotada, é de se esperar que a entrada de novos bitcoins no mercado seja diminuída. Assumindo que a demanda não diminua, os compradores precisarão adquirir bitcoins no mercado, o que carregaria o preço para cima.

Thurber demonstra otimismo nesse sentido:

“Assumindo o valor de $445 em maio desse ano, anterior à alta em função da expectativa pelo halving, o preço projetado para o bitcoin após o halving ter sido completamente absorvido pelo mercado é aproximadamente duas vezes maior, por volta de $900. Atingir este equilíbrio, no entanto, pode levar alguns meses.”

É importante lembrar que o bitcoin já viveu esta situação no passado. O halving aconteceu, alguns mineradores sairam do mercado, porém a poeira baixou e a rede cresceu novamente. Este processo deve se repetir até que todos os 21 milhões de bitcoins sejam minerados.

Ao passo em que a rede cresce e se solidifica, fica claro que mesmo um evento desestabilizador como o halving apenas serve para reafirmar a continuação da existência do bitcoin.

Fonte: CoinDesk | Bitcoin Magazine | Bitcoin News | Forbes

Comentários do Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Por favor digite o seu nome